Dia destes
curtia um chopp gelado na areia da praia e descobri que esta atividade pode ser
muito mais interessante que eu imaginava. Lógico ser mais interessante vai
depender do local, da hora e da pessoa ao seu lado. Não acredita? Então escute
minha experiência.
Estava eu
contemplando a maravilhosa paisagem que o mar nos oferece e bebericando um
chopp geladinho sob o sol de Rio das Ostras quando a mulher ao meu lado disse
algo. Voltei à Terra e lhe disse:
-Desculpe,
estava longe!
Então ela
repetiu:
- Dizia
que não existe paisagem mais bonita, não é mesmo?
- Ah! Com
certeza não existe!
Concordei
eu. E aí como que fazendo juz ao apelido a mim dado pela minha filha mais nova,
ou seja, boca frouxa, continuei a conversar.
Ela me
disse que era professora em uma das universidades federais da região e
continuou, sem tomar folêgo e sem a oportunidade de me apresentar, listando
suas qualidades profissionais. Ela dizia ter defendido tese de doutorado dois
anos atrás e que havia publicado três artigos. Segundo ela eram poucos dentro
das universidades brasileiras com tantos artigos publicados. Engoli seco, mordi
a língua e decidi apenas ouvir. Ah! Pensa bem, domingo, sol gostoso, chopp
gelado e paisagem maravilhosa para que haveria de me estressar e rebater
tamanha asneira? Continuei ouvindo e de quando em quando puxava a língua da
professora ao meu lado. Ela me disse então que era professora na região desde
2008. Ou seja, findo o doutorado havia logo sido aprovada para o concurso de
uma universidade federal. E aí me disse:
- Não deve
passar pela sua cabeça o que isto representa. Para se tornar professora em uma
universidade você tem que provar que você é muito competente, ter publicado
muito e enfrentar uma banca com cinco professores a lhe examinar! Muito
difícil, mas graças à minha competência fui aprovada em primeiro lugar.
Só
balancei a cabeça como que dizendo que concordava com a dificuladade mas decidi
me manter em silêncio.
Foi quando
ela pediu a minha opinião sobre uma decisão que ela estava prestes a tomar.
Pensei em lhe dizer:
- Olha,
não sei se sou a pessoa mais gabaritada para a aconselhar tamanha sumidade.
Imagina eu, um reles mortal, me atrever a aconselhar uma intelectual!
Mas logo
pensei que não valeria a pena atrapalhar o meu domingo regado a chopp. E lhe
disse:
- Se puder
ser útil, será um prazer!
Ai ela
narrou a situação. Estava muito irritada com os colegas de universidade pois
havia sido convidada para fazer um estágio de pós doutoramento em São Paulo e
eles não a haviam liberado. Então ela imaginou em pedir demissão. Minha
resposta foi simples:
- Olha,
acho que você deveria pensar com muito carinho. Se exonerar de um cargo no
serviço público é algo para muita reflexão! Como você mesma disse, não é para
qualquer um!
Ai ela
disse que talvez eu tivesse razão e depois de quase 30 minutos de autoelogio
ela resolveu puxar a minha língua. Bom, ai não teve como... Foi algo mais ou
menos assim:
- Você
trabalha onde?
- Trabalho
em uma outra universidade federal na região.
- A você é
técnico administrativo!
- Não! Sou
professor.
- Ah, é?
De que?
- De
química.
- Ah!
Então você não tem doutorado, não é?
Não
entendi como ela chegou a esta brilhante, mas erronea conclusão! Mas fato que
chegou!
Ai lhe
respondi com um simples não.
- Tenho
doutorado sim defendi minha tese 18 anos atrás, disse e continuei
-Publiquei
quase sete vez mais artigos que você.
Esta
afirmação associada ao fato de eu ser professor desde 1994, lhe caiu como uma
bomba. Mas, uma bomba tão violenta que ela decidiu se despedir sob a alegação
de que o sol estava escaldante. Se despediu, ai até um pouco mais humilde,
dizendo que havia sido um prazer. Tive até direito a três beijinhos! Imagina!
Três beijinhos de uma intelectual!
Com a sua
partida, fiquei refletindo sobre tudo aquilo e várias perguntas ficaram sem
respostas.
1) O que
leva uma pessoa a se achar maior que a outra sem se quer ouvir o lado
contrário, ou o lado pisado?
2) Por que
as pessoas que chegam ao topo da pirâmide não estendem a mão às outras para que
a pirâmide da desigualdade social se inverta?
3) Por que
as universidades estão infestadas de pessoas desse gênero?
Dias
depois, comentei com uma grande amiga esta situação e falei:
- Poxa,
fico tão triste com pessoas deste tipo que se tornam afetadas por causa da
função que ocupam!
Ai ela me
disse:
- Robson,
isso tem mais a ver com a essência de cada um do que com a função.
Tive que
concordar. Ela estava absolutamente correta, mas continuei:
- É,
espero que pelo menos a vida lhe ensine que a humildade é que nos torna grande!
De novo,
minha amiga me ensinou:
- A vida
ensinar? Se na idade dela ainda não aprendeu algumas coisas básicas, é ruim
aprender agora...
Nossa! Tão
inteligente esta minha amiga, não é? Ah! Vocês precisam conhecê-la! Em um outro
momento lhes apresento.
Qualquer
semelhança com a vida real não é mera coincidência! Por mais absurdo que possa aparentar,
as universidades brasileiras possuem uma população extremamente elevada deste
tipo de pessoa. São os autodenominados intelectuais! Causa-me nojo tal termo em
função da história acima.
É por isso que tanto te admiro!
ResponderExcluirPela sua humildade...E é pelo mesmo motivo que você nunca teve problemas conosco,porque você não quis ser só nosso professor,você quis também ser nosso amigo,quis nos conhecer de forma profunda,não só como meros alunos!
Parabéns por ser assim!
Você é uma inspiração!
Beijos,te adoro!
caa, tu é genial... tua humildade, é fora do sério.. e brinco e talz, quando a isso, mais a verdade tem q ser dita, vc é 10. naum só como professor, mais 11 como amigo, 12 como pai, 13 como cidadão, 14 como ser-humano, e assim sucessivamente!
ResponderExcluirGostei muito do post! Parabéns!
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