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sábado, 6 de junho de 2020

A DR da Rainha Louca e Trump


A DR da Rainha Louca e Trump
Robson Matos


Trump está com grandes dificuldades na corrida pela reeleição. Como o voto nos EUA não é obrigatório, ele precisa motivar a sua base para ir às urnas. Nesse sentido ele já elegeu vários inimigos: o novo coronavírus, governadores americanos, China, George Floyd, o grupo antifas, etc. O inimigo da vez é o Brasil.

Para mostrar que o seu Governo teve sucesso no combate à pandemia (só ele acredita nisso!), ele não perdoou e disse que se tivessem agido da forma que o Brasil agiu, eles poderiam ter perdido até 2,5 milhões de vidas.


Trump fez, inclusive, uma crítica direta à Rainha Louca: “A propósito, eles vivem citando a Suécia...”. Todos sabemos que no Brasil, só a Rainha Louca cita a Suécia. No dia 14 de maio, quando o Brasil ultrapassava 12 mil mortes, de dentro do seu cercadinho a Rainha Louca respondeu ao repórter:


A Rainha Louca mostrou toda a sua incompetência em cálculos matemáticos simples quando disse que tinha que comparar o número de mortes por 1 milhão de habitantes. A conta citada pela Rainha Louca, as minhas filhas aprenderam a fazer quando tinham 2 anos (meus alunos e ex-alunos entenderam essa brincadeira). O resultado era esse no dia 14 de maio:


Argentina
Suécia
Brasil
População1
44,49
10,23
210
Óbitos
351
3646
14.807
Óbitos/milhão
7,9
356,4
70,5
1 em milhões

A Rainha Louca confirmou aquilo que todos têm desconfiado, mas ainda não tiveram a coragem de lhe dizer: a Academia Militar das Agulhas Negras – AMAN – pode estar oferecendo um ensino de qualidade bem duvidosa. Ao que parece, eles têm sido bons em formar pessoas com tendências fascistas: Rainha Louca, Ministro Gagá, Ministro da Defesa, Ministro da Infraestrutura, Ministro da CGU e até o vice da Rainha Louca.

Enfim, essa não foi a primeira vez que o Trump dá um chute no traseiro do seu cachorrinho vira-latas.


 Depois de avisar em várias entrevistas, no dia 24 de maio Trump proibiu a entrada de estrangeiros nos EUA com origem no Brasil. Em março de 2019, Trump anunciou que iria defender a entrada do Brasil na OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Para que o Brasil entre na OCDE, ele precisava abrir mão do tratamento diferenciado que tinha na OMC – Organização Mundial do Comércio. O Brasil é considerado como país emergente pela OMC e com isso tinha, por exemplo, mais prazo para cumprir determinações e margem maior para proteger produtos nacionais. O fim dessas regalias na OMC é benéfico para os produtores de soja e milho estadunidense. Eis que chegamos ao final de agosto de 2019 e o Governo Estadunidense envia uma carta à OCDE apoiando a entrada de Argentina e Romênia na Organização. Mais uma facada no coraçãozinho da Rainha Louca.


 Mas, nada disso acaba com a paixão da Rainha Louca por Trump. Toda relação tem seus altos e baixos, somos conhecedores disso. A Rainha Louca minimizou as críticas de Trump “É meu amigo, é meu irmão...”:


Trump está, como sempre partindo o coraçãozinho da Rainha Louca. Foi assim quando o Presidente Estadunidense defendeu o isolamento social em uma entrevista coletiva. Ahhhh, são tantas decepções!


Para tentar salvar o casamento, a Rainha Louca até defendeu o Trump dizendo que a OMS tem um viés ideológico e ameaçou também se retirar da Organização.


Resta saber como os seguidores da Rainha Louca reagirão?

Trump continuará sendo o grande amor da vida da Rainha Louca e ainda terá acesso ao WiFi da Casa Branca?


Ou Trump se tornará mais um filiado do partido comunista?


Afinal, aqueles que se opuseram às ideias da Rainha Louca tornaram-se comunistas:


Eu apostarei minhas fichas em uma relação abusiva.



quinta-feira, 4 de junho de 2020

O Apartheid brasileiro


O Apartheid brasileiro
Robson Matos



Já falei sobre a morte de George Floyd (clique aqui) e já falei do racista Sérgio de Camargo (clique aqui). Chegou a hora de colocar o dedo na ferida e aprofundar sobre esse mal que acomete o Brasil há séculos, o racismo estrutural.

Will Smith disse: “O racismo não está aumentando, ele está sendo filmado”. Infelizmente essa não é a realidade brasileira e podemos adaptar a declaração do ator estadunidense para o Brasil da seguinte forma: O racismo no Brasil está aumentando, está sendo filmado e não estamos fazendo nada para combatê-lo!

No primeiro dia do mês de junho desse ano, um morador de rua negro foi espancado pela Polícia Militar do DF. A grande mídia, ocupada com as manifestações nos EUA pela morte de George Floyd, não repercutiu a violência policial no Brasil.


As cenas foram filmadas por um jovem negro e segundo ele, a vítima nada fez, não possuía arma branca e levou pedradas e spray de pimenta. Ao ser questionado nas redes sociais sobre o porquê de não ter socorrido a vítima, ele disse:

“Senti muito medo, fiquei paralisado. Sabia que eu confrontasse eles, eu que estaria naquele lugar. Eu também sou homem preto, eu sei o que é isso”.

Esse não é um fato isolado no Brasil a violência contra negros sempre existiu e está aumentando de maneira assustadora. A comparação entre o número de mortos pela polícia nos EUA e no Brasil demonstra que a polícia brasileira é muito mais violenta e racista. No ano de 2019, a Polícia estadunidense matou 1.099 pessoas, enquanto no Brasil esse número é quase cinco vezes maior – 5.804 pessoas. Apenas no Rio de Janeiro, a polícia matou um número superior de pessoas – 1810 – àquele dos EUA. O percentual de negros mortos pela polícia estadunidense representa 23,6% do total em 2019. Já no Brasil, no mesmo ano, 78% das pessoas mortas pela polícia eram negras.


No primeiro semestre de 2019, 885 pessoas foram mortas pela Polícia no Rio de Janeiro e 80% delas eram afrodescendentes – 711. A operação no Fallet em Santa Teresa levou à morte 13 pessoas sendo que 9 eram negros ou pardos.

Nesse ano, a Polícia carioca continua mantando jovens negros e inocentes. João Pedro (14 anos) estava em casa brincando com amigos e foi atingido pelas costas por tiro de fuzil. João Victor (18 anos) e Rodrigo Cerqueira (19 anos) estavam participando de um evento de distribuição de cestas básicas. O moto taxista Matheus Oliveira (23 anos) foi morto com um tiro na cabeça quando voltava para casa no Morro do Borel na Tijuca. Bianca Regina (22 anos) foi baleada na cabeça na Cidade de Deus. Bianca acordou com o tiroteio e ao levantar da cama foi atingida na cabeça.

A polícia, dessa forma vai promovendo um genocídio de jovens negros no Brasil e a sociedade nada faz. O brasileiro parece estar anestesiado com tantos assassinatos de jovens negros. Por outro lado, pode ser que o racismo, antes velado, começou a ficar escancarado.

De fato, parece-me que os sentimentos mais cruéis que um ser humano pode ter começaram a sair do armário a partir dos discursos de ódio sempre proferidos pela Rainha Louca. Os ataques às minorias estão cada vez mais constantes no Brasil, seja nas redes sociais ou em público. Os seguidores da Rainha Louca são os mais destemidos e estão sempre desafiando as Leis. Palavras de racismo já foram proferidas pela Rainha Louca e pelo Bobo da Corte, que aliás hoje presta depoimento à PF em um inquérito de racismo aberto contra ele.

No último final de semana, o autointitulado “grupo dos 300” – que não conta com mais de 30 componentes – promoveu uma passeata contra os Ministros do STF. Na passeata eles estavam vestidos como os supremacistas brancos da Ku Klus Khan e carregavam tochas como aquelas da organização racista estadunidense.


Está circulando nas redes sociais um vídeo de uma jovem brasileira branca que considera que o racismo existe e é natural. Ela diz: “o racismo sempre vai existir enquanto a maior parte dos crimes for cometido por pessoas negras”.


Minha jovem, sinto muito em lhe dizer: o racismo não é natural, o racismo é crime. Seu argumento parte de uma premissa racista ao dizer que a maior parte dos crimes é cometida pela população negra.

Mas, infelizmente, esse parece ser o pensamento de grande parte da população brasileira, uma população que se mostra a cada dia mais racista, mais cruel e menos empática.

A população brasileira é composta por 56% de pessoas que se declaram negras, de acordo com o Pnad. Embora maioria, os negros chegam a receber até 68% menos por hora trabalhada. Dentre os cargos de chefia, aproximadamente apenas 30% são ocupados por negros. Com o aumento da importância do cargo e do salário há uma diminuição no percentual de negros ocupando o referido cargo.

Entre representantes no Legislativo, os negros são minoria e eles ocupam, também, pouquíssimas vagas no Poder Judiciário brasileiro. Todavia, os negros já são a maioria no Ensino Superior Público.

Mas, em relação a serem uma maioria no Ensino Superior Público, há de se fazer algumas ponderações. Tem se tornado corriqueira a descoberta de pessoas fraudando o sistema de cotas para ingresso nas Instituições Federais de Ensino – IFES. Existem vários perfis no Twitter denunciando pessoas que fraudaram o sistema de cotas das IFES. Se você buscar @fraudadoresdecota será exibida uma lista bastante considerável.

Essas pessoas que estão transgredindo o sistema de cotas são, grosso modo, racistas. São pessoas que não conseguem entender a dívida de mais de 500 anos que temos com a população negra, acham que o sistema de cotas é um privilégio e tentam burlá-lo.

Muitos de nossos irmãos negros ainda são tratados no Brasil como escravos.  Pelo menos isso foi o que aconteceu no dia 2 de junho, no Recife. Miguel, de apenas 5 anos, perdeu a vida ao cair do 9º andar de um prédio. A mãe de Miguel, não tendo onde deixar o filho, o levou para a casa da sua empregadora, Sari Cortes. A mãe de Miguel saiu para passear com os cachorros de Sari e o pequeno Miguel foi deixado na casa da empregadora. Querendo ir encontrar com a mãe, Miguel entra no elevador e Sari tenta convencê-lo a não ir, mas acaba cedendo. Sari estava ocupada cuidando de suas unhas com a manicure que a atendia em casa. Veja o pequeno Miguel no elevador no vídeo a seguir.


Sari foi presa em flagrante, mas liberada diante o pagamento de uma fiança de R$20 mil.

Estamos anos luz atrás da sociedade estadunidense em relação à luta pelos Direitos Civis.

Nos EUA, a luta antirracismo é ensinada desde o berço. No Brasil nossas crianças negras são obrigadas a aprender como evitar ser assassinada pela polícia.


A filha de George Floyd acredita que o pai mudou o mundo. É isso que ela diz do alto das costas do tio: “Dad changed the World”! – “Papai mudou o mundo”!


Giana tem apenas 6 anos e ainda perceberá que o pai dela mudou grande parte do mundo. Infelizmente, ele não foi capaz de mudar uma parte do mundo, o Brasil.

Por que a sociedade brasileira não se manifesta pela morte dos nossos negros ao invés de chorar pela morte de George Floyd? Não que o brutal assassinado de George Floyd não mereça nossa atenção e nossos protestos. Muitos negros brasileiros merecem o nosso protesto: Evaldo, João Pedro, Ágatha, João Victor, Reinaldo, Bianca, Matheus são apenas alguns daqueles que foram mortos pela polícia desde 2019.

A cada assassinato de um jovem negro cometido pela Polícia brasileira, algumas pequenas manifestações ocorrem. Todavia, essas manifestações não estão à altura da indignação que deveria ser mostrada por uma sociedade que, em sua maioria, gosta de dizer que não é racista.

O combate ao racismo começa dentro de você!

É preciso que você reconheça que é uma pessoa racista, só assim você poderá deixar ser se tornar um e passar a ser um cidadão do bem. Para que você se torne um antirracista você precisa primeiro eliminar o racismo que porventura possa existir dentro de você.

O Movimento Black Lives Matter nasceu nos EUA em 2013. Está na hora de criarmos o Movimento Vidas Negras Importam.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

A política racial da Rainha Louca


A política racial da Rainha Louca
Robson Matos



Estamos vivendo momentos muito sombrios no Mundo, porém ainda mais sombrios no Brasil. Os protestos antirracistas nos EUA  entraram hoje no nono dia e pode durar ainda mais. Recentemente falei da morte do George Floyd e fiz uma associação com a política assassina sendo conduzida pelas polícias brasileiras (clique aqui). Os protestos já se espalharam pela Europa, mas no Brasil ainda não se vê esse tipo de protesto, talvez por estarmos muito mais preocupados com as crescentes ameaças à jovem Democracia brasileira. Nesse blog, já falei também das constantes ameaças da Rainha Louca à nossa Democracia (clique aqui).

Entretanto, em meio a todos esses protestos antirracistas, principalmente nos EUA, fomos surpreendidos pela divulgação do áudio da reunião entre o Presidente da Fundação Palmares – Sérgio de Camargo – e dois servidores da instituição. O áudio foi divulgado ontem pelo jornal O Estado de São Paulo.


Essa não é a primeira vez que o medíocre, desqualificado e sabotador Sérgio de Camargo dispara contra o Movimento Negro com suas frases racistas. Aparentemente o infeliz cidadão teve oportunidades e graduou-se em jornalismo pela PUC – SP. Mas, sabemos todos que essa não é a realidade da esmagadora maioria da população afrodescendente do Brasil. Nossos irmãos afrodescendentes ainda são discriminados e, na sua grande maioria, recebem salários mais baixos apenas por terem uma pele mais escura.

Essa excrecência da humanidade parece desconhecer a história de Zumbi, das religiões de origem africana e do Movimento Negro no Brasil.


Zumbi dos Palmares é um alagoano que nasceu livre em 1655 e que por volta dos 7 anos foi capturado e entregue a um padre católico. Ele foi então batizado e recebeu o nome de Francisco. Até os seus 15 anos, quando voltou a viver no quilombo, ele ajudou o padre na celebração de missas. Com 20 anos, Zumbi destaca-se como um grande guerreiro ao defender o quilombo em uma batalha sangrenta contra os portugueses, vencida pelos quilombolas.

Zumbi torna-se, no ano de 1680, o líder do Quilombo dos Palmares e comanda uma resistência contra as tropas do governo. A liderança de Zumbi levou ao crescimento do quilombo e, fortalecidos, eles venceram várias batalhas contra os portugueses. Por seus feitos, Zumbi é considerado um dos maiores líderes da resistência negra à escravidão.

O Movimento Negro no Brasil surge, sem dúvidas, com Zumbi dos Palmares. Todavia, ele começa a ganhar força após a abolição da escravidão. Começam a surgir jornais e revistas voltadas para os negros. Esses periódicos, fundados pelas mais diversas associações, passam a ser um instrumento de denúncia da desigualdade social e do preconceito racial. O Movimento começa a sofrer influência do Movimento pelos Direitos Civis nos EUA na década de 1960 e nas duas décadas seguintes começam a surgir grupos formados com o objetivo de unir os jovens negros e denunciar os preconceitos.

O Movimento Negro no Brasil só começa a colher algumas conquistas a partir da Marcha Zumbi, que ocorreu em Brasília e teve a participação de 30 mil pessoas. Através de um decreto, o Presidente FHC cria um Grupo de Trabalho Interministerial para a Valorização da População Negra. Em 2001 é realizada, na África, a Conferência Mundial Contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância e o Governo Brasileiro começa a mostrar interesse no cumprimento das resoluções do Conselho de Direitos Humanos da ONU. São instituídos os programas de cotas raciais e criada a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Social da Presidência da República. Até hoje, foram conquistas importantes, mas ainda se necessita de muitas políticas públicas para chegarmos à tão sonhada igualdade racial no Brasil.

Da mesma forma que Zumbi dos Palmares, o Movimento Negro foi traído. Sérgio de Camargo está traindo a população negra brasileira. Talvez, ele esteja nessa cruzada contra os negros para que nenhum deles escale a injusta pirâmide social que ele conseguiu escalar. Provavelmente, ele tenha a falsa impressão de que possa continuar reinando como um dos poucos negros a chegar no topo dessa pirâmide.

Sérgio de Camargo não tem moral e, talvez, não tenha capacidade intelectual para ocupar o maior cargo da Fundação Cultural Palmares. Ele precisa conhecer a história e os objetivos dessa tão importante Fundação.

A Fundação Cultural Palmares foi criada em 1988 e pode ser considerada como uma conquista do Movimento Negro do Brasil. Ela tem a finalidade de promover e preservar a cultura afro-brasileira. A Fundação deve formular e implementar políticas públicas que aumentem a participação da população negra no desenvolvimento do País. Segundo a página da Fundação na internet, ela está preocupada com a igualdade racial e com a valorização das manifestações de matriz africana. A fundação está também comprometida com o combate ao racismo, a promoção da igualdade, a valorização, difusão e preservação da cultura negra.

Pois bem, no áudio que ouvimos acima, Sérgio de Camargo demonstra não possuir qualquer conhecimento da história e dos objetivos da Fundação que ele, infelizmente, dirige. Ele atacou Zumbi dos Palmares – que dá nome à Fundação que preside – e o Dia da Consciência Negra:

“Não tenho que admirar Zumbi dos Palmares, que para mim era um filho da puta que escravizava pretos. Não tenho que apoiar Dia da Consciência Negra. Aqui não vai ter, zero – aqui vai ser zero pra [Dia da] Consciência Negra. Quando eu cheguei aqui, tinha eventos até no Amapá, tinha show de pagode com dinheiro da Consciência Negra. Aí, tem que mandar um cara lá, para viajar, se hospedar, para fiscalizar... Que palhaçada é essa”?

Mas, não parou por aí, ele menosprezou a cultura afro-brasileira ao se referir à religião de origem africana. Não se esqueça que a Fundação Palmares tem como um dos seus objetivos preservar a cultura afro-brasileira.

“Tem gente vazando informação aqui para mídia. Vazando para uma mãe de santo, uma filha da puta de uma macumbeira. Uma tal de Mãe Baiana, aquela que infernizava a vida de todo mundo. É. Além de fazer macumba para mim, essa miserável tá querendo agitar invasão aqui de novo. Eu sei, tem gente no grupo dela de WhatsApp. Tinha esquema. Não vai ter nada, nada para terreiro, da Palmares, enquanto eu estiver aqui dentro. Nada, sério. Macumbeiro não vai ter nenhum centavo”.

O senhor Sérgio de Camargo desconhece as religiões de origem africana e como elas influenciaram a cultura e deram origem a inúmeras festividades. São de origem africana o Carnaval, a queima de fogos no Ano Novo em homenagem a Iemanjá e a lavagem das escadarias da Igreja do Senhor do Bonfim em Salvador. Esses eventos são responsáveis por gerar inúmeros empregos, direta e indiretamente, e atrair milhões de turistas.

Sérgio de Camargo levanta suspeita dos componentes do Movimento Negro em um outro ponto da reunião que teve o áudio vazado. Essa reunião ocorreu para tratar do desaparecimento de um aparelho celular da instituição que foi entregue a ele antes de a Justiça suspender a sua nomeação – abordaremos o tema mais adiante. Durante o período que ele ficou afastado, o aparelho desapareceu e quando lhe perguntaram quem poderia ter pego o aparelho, ele respondeu:

“Qualquer um. Eu exonerei três diretores nossos assim que voltei. Qualquer um deles pode ter feito isso. Quem poderia? Alguém que quer me prejudicar, invadindo esse prédio aqui para me espancar. Quem poderia ter feito isso? Invadindo com a ajuda de funcionários daqui. O movimento negro, os vagabundos do movimento negro, essa escória maldita".

Sérgio de Camargo demonstra, como muitos brasileiros, todo o seu racismo ao chamar os componentes do Movimento Negro de vagabundos. Não perca de vista que a Fundação Palmares tem como objetivo combater a discriminação racial.

Camargo demonstra irritação por ter sido afastado pela Justiça e acredita ter sido censurado. Bem, isso deve ser apenas na cabeça dele. Ele parece se esquecer que existem crimes de preconceito racial, de injúria, de difamação e de intolerância religiosa.

"Não recebi [salário], janeiro nem fevereiro. Agora vou ter que devolver celular. Por uma liminar que me censurou, por causa das minhas opiniões em redes sociais. Porque a esquerda acha que é propriedade, negro é uma propriedade dela. Não tem direito à livre opinião, só pode expressar a opinião da cartilha. Vocês vão se foder... Se tiver um esquerdista aqui, vocês me digam, onde está esse filho da puta, que eu quero exonerar. Ou demitir. Ou mandar para outro órgão, se for efetivo", afirmou.

Essa não foi a primeira vez que Sérgio de Camargo desferiu contra a população negra. Camargo foi nomeado para presidir a Fundação Palmares no final de novembro do ano passado e no dia 4 de dezembro a sua nomeação foi suspensa por uma liminar da Justiça Federal do Ceará. A Justiça Federal entendeu que Camargo “poderia atuar em rota de colisão com os princípios constitucionais da equidade da valorização do negro e da proteção da cultura afro-brasileira”.

Declarações, em redes sociais, do senhor Camargo motivaram a ação. Ele disse que o Movimento Negro precisa ser extinto e que a escravidão foi terrível, porém benéfica aos descendentes. Naquela época ele também criticou o Dia da Consciência Negra:

“Não há salvação para o movimento negro. Precisa ser extinto! Fortalecê-lo é fortalecer a esquerda”.

“A escravidão foi terrível, mas benéfica para os descendentes, e os negros do Brasil vivem melhor que os negros da África".

“O Dia da Consciência Negra celebra a escravização de mentes negras pela esquerda, e que precisa ser abolido".

Declarações desse tipo quando dadas por brancos já nos causa repugnância! Quando partem de um negro, tornam-se ainda mais repugnantes e nojentas. Esse abjeto senhor não está à altura de ocupar o cargo de presidente da Fundação Palmares. Ele deve ser enviado diretamente para um presídio.

Mas, aí cabe a pergunta. Por que esse ignóbil ocupa a Presidência da Fundação Palmares, que dentre as suas competências está o reconhecimento das Comunidades Quilombolas?

O senhor Sérgio de Camargo voltou à Presidência da Fundação Palmares em virtude da liminar que suspendia a sua nomeação ter sido cassada a pedidos da Advocacia Geral da União. Ou seja, a nomeação de Sérgio de Camargo atende aos interesses da Presidência da República.

A presença de Sérgio de Camargo na Fundação Palmares faz parte da política racial da Rainha Louca, que acredita haver privilégios para negros no Brasil. Em 2017, a Rainha Louca dizia que os Quilombolas eram um problema.


A Rainha Louca está apenas implementando as políticas que sempre defendeu. Para isso, é preciso ter na Secretaria das Mulheres e dos Direitos Humanos uma machista, no MEC um indivíduo que despreza a educação, no Ministério do Meio Ambiente um destruidor da natureza (veja aqui) e na Fundação Palmares um racista.

Só conseguem se manter nos cargos aqueles que concordam com os seus princípios, como o Bobo da Corte, que desprezou os judeus e vomitou bobagens contra minorias (clique aqui). Aqueles que não concordaram com ele caíram. Foi o caso do Mandetta (veja aqui) e do Ministro Coveiro que não aceitaram a cloroquina ou do Moro (que de herói nunca teve nada – clique aqui) que não aceitou transformar a PF na Polícia da Milícia (clique aqui).

Para a Rainha Louca, as únicas vidas que importam são as dos filhos e dos seus amigos milicianos. Aliás, onde está o Queiroz?

Para a Rainha Louca interessa implementar o seu projeto totalitário (veja aqui) e ameaçar a democracia.

Vidas negras também são importantes no Brasil. Chega de racismo! Parafraseando a Rainha Louca: “Acabou, porra”!


A sociedade brasileira parece não se importar com o imenso número de assassinatos de jovens negros pela polícia. Precisamos lutar pelo João Pedro e tantos outros que já tiveram suas vidas ceifadas pela polícia.

Precisamos fazer com que a Polícia brasileira se ajoelhe perante os manifestantes como a Polícia americana tem feito. Não precisamos que a Polícia aponte fuzil para a cabeça de nossos manifestantes.



terça-feira, 2 de junho de 2020

O Ministro do Desmatamento e sua Boiada


O Ministro do Desmatamento e sua Boiada
Robson Matos


Seria uma mera coincidência de datas:
22 de abril de 1500 – Descobrimento do Brasil
22 de abril de 2020 – Descobrimento do modus operandi da República da Rainha Louca.


Dentre todas as falas proferidas na tragicômica Reunião Ministerial da Rainha Louca, talvez a de maior impacto tenha sido a do Ministro do Desmatamento ou antiMinistro do Meio Ambiente, como muitos gostam de chamá-los. Mas, estou falando de um impacto negativo. A fala do Ministro chocou o mundo inteiro e foi condenada por ambientalistas, Governantes e até associações de importadores de produtos do agronegócio brasileiro.


A fala do Ministro do Desmatamento foi tão absurda que até mesmo o ex-Ministro Coveiro se espanta. A expressão facial do Dr. Teich é algo impagável, preste atenção!

Salles disse que é preciso aproveitar que a imprensa está ocupada na cobertura da pandemia e ir passando a boiada e foi além, “...nós não precisamos de Congresso...”. A tática “...parecer, caneta, parecer, caneta...” do Ministro do Desmatamento está, de fato sendo utilizada desde o início desse ano e o uso aumentou com o avanço da pandemia.

A República da Rainha Louca anistiou ruralistas que haviam destruído áreas da Mata Atlântica. Desnecessário dizer que a Mata Atlântica é o bioma mais devastado do Brasil. No dia 6 de abril, o Ministro do Desmatamento assinou um despacho colocando em ação um parecer da Advocacia Geral da União – AGU – reconhecendo como áreas consolidadas as APP’s – Áreas de Preservação Permanente – que foram desmatadas desde 2008. As APP’s têm função fundamental de preservar, principalmente, os recursos hídricos e proteger as nascentes. O Ministro do Desmatamento atendeu a um pedido da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária – CNA.

Outra decisão polêmica do Ministro do Desmatamento foi a exoneração de dois chefes do setor do Ibama responsável pelas grandes operações de repressão a crimes ambientais. A decisão foi publicada na edição do Diário Oficial da União – DOU – do dia 30 de abril. Para o cargo de coordenador geral de fiscalização ambiental foi nomeado um militar, um coronel da reserva da PM de São Paulo. A exoneração dos servidores do Ibama ocorreu após a Rainha Louca criticar a destruição de maquinário de garimpeiros ilegais no estado do Pará. Servidores acusam o Ibama do fato de as exonerações serem em função das ações de fiscalização em terras indígenas.


Embora a Legislação de proteção ambiental aponte para a destruição do maquinário utilizado na degradação de áreas ambientais (Decreto 6514/2008 – clique aqui), a Rainha Louca está constantemente criticando esses atos. Ao lado do Senador Marcos Rogério – DEM/RO – o presidente diz que não é para queimar equipamentos utilizados no desmatamento. O Senador finaliza o vídeo dizendo “...quem cometeu erro, destruiu patrimônio responda na forma da Lei...”. Definitivamente, o Senador desconhece a lei que permite a destruição de equipamentos de garimpeiros e madeireiros ilegais.


Recentemente, a Rainha Louca deixou escapar mensagens trocadas com o ex-Ministro da Justiça, Sérgio Moro, um questionamento sobre a queima de equipamentos de garimpeiros ilegais. O então Ministro, Sérgio Moro explica qual o papel das Forças Nacionais.


A Instrução Normativa 9/2020 da Funai foi publicada no dia 22 de abril deste ano. A Instrução Normativa altera a Declaração de Reconhecimento de Limites, documento que funciona como uma certificação de que uma propriedade rural não invada terreno ocupado por indígenas. A partir dessa instrução da Funai, a Declaração de Reconhecimento de Limites poderá ser fornecida a imóveis privados dentro de terras indígenas não homologadas. O processo de homologação de terras indígenas é um processo lento e alguns deles foram abertos em 1982. A partir de agora, terras ocupadas por comunidades indígenas que não foram homologadas serão consideradas como imóveis privados.

Em fevereiro deste ano, a Rainha Louca enviou para o Congresso Nacional o Projeto de Lei da mineração em terras indígenas (PL 191/2020 – acompanhe o andamento aqui) que regulamenta a mineração e a geração de energia elétrica em terras indígenas. O Presidente da República se referiu ao Projeto de Lei como um “sonho” e continuou: “o índio é tão brasileiro quanto nós”. De maneira mais repugnante ainda, a Rainha Louca disse: “O índio é um ser humano exatamente igual a nós. Tem coração, tem sentimento, tem alma, tem desejo, tem necessidades e é tão brasileiro quanto nós”. A Rainha Louca realmente não tem limites: “O grande passo depende do parlamento, vão sofrer pressão dos ambientalistas. Esse pessoal do meio ambiente. Se um dia eu puder, eu confino-os na Amazônia, já que eles gostam tanto do meio ambiente, e deixem de atrapalhar os amazônidas aqui de dentro das áreas urbanas”. Estaria a Rainha Louca sugerindo a criação de um campo de concentração para ambientalistas?

Outra ameaça à floresta amazônica é a Medida Provisória da Grilagem. A MP foi editada em dezembro de 2019 e perdeu a validade no dia 19 de maio desse ano. Todavia, ela foi transformada no PL 2633/2020 em tramitação na Câmara dos Deputados (acompanhe aqui). Chamado de “PL da Grilagem” pelos críticos e de “PL da Regularização Fundiária” pela República  da Rainha Louca, o projeto premia os desmatadores e estimula a destruição de novas áreas da floresta. Segundo o Governo, o projeto tem a finalidade de desburocratizar a concessão de títulos a agricultores “que produzem e ocupam terras da União de forma mansa e pacífica”.

No dia 6 de maio, A Rainha Louca decretou uma operação de Garantia da Lei da Ordem – GLO – que submete o trabalho do Ibama e do ICMBio ao controle do Ministério da Defesa e das Forças Armadas. O decreto tem por objetivo reforçar as ações contra o desmatamento ilegal e focos de incêndio na Amazônia. Todavia, por vir logo após o Presidente criticar a queima de equipamentos de garimpeiros ilegais, acredita-se que essa medida possa ser para evitar que isso ocorra. A GLO coloca o trabalho de investigação e estratégia do Ibama e de outros órgãos sob a avaliação do Exército, que definirá a abordagem de fiscalização e as operações a serem utilizadas em campo. No decreto de GLO de 2019 para o combate ao enorme incêndio na Amazônia houve uma grande dificuldade de articulação entre o Ibama e o Exército, que se recusava a participar de operações que envolviam destruição de maquinário.

Outra medida preocupante foi a reestruturação do ICMBio levada a cabo no dia 12 de maio. Os cargos de chefia do Instituto estão sendo ocupados por oficiais da PM escolhidos pelo Ministro do Desmatamento. Segundo servidores da área ambiental a reestruturação está sendo feita a toque de caixa e sem qualquer transparência. Na Portaria publicada, 38 servidores do comando foram exonerados e está havendo uma agregação de unidades de conservação muito distantes, além da retirada de responsabilidade das equipes que estão próximas às unidades de conservação. Teme-se que as ações de proteção das Reserva Ambientais fiquem prejudicadas.

As ações criminosas do Ministro do Desmatamento ocorrem no período que o Brasil apresenta os piores índices de proteção ambiental em décadas. De acordo com o Inpe, os alertas de desmatamento na Amazônia aumentaram 29,9% em março deste ano, em comparação a março do ano anterior. Já em abril, os alertas de desmatamento cresceram 63,75% em comparação a abril de 2019. Os alertas foram emitidos para 405,6 km2 contra 247,7 km2, no mesmo período do ano passado. A série de monitoramento do sistema da Amazônia, que começou há 4 anos, apontou que os dados do primeiro trimestre desse ano mostram um recorde histórico de desmatamento.

O poderoso consórcio de varejistas britânicos – British Retail Consortium (BRC) – anunciou que pode tomar medidas de retaliação contra produtos brasileiros, caso o PL da grilagem não seja retirado de análise. O BRC reúne 96,8% dos varejistas britânicos e estão cobrando a retirada do PL para poder continuar adquirindo commodities produzidas com responsabilidade para o mercado britânico e internacional.

A falta de uma política clara de combate ao desmatamento e à grilagem de terras podem colocar em risco, também, o acordo comercial entre a Comunidade Europeia e os países do Mercosul. Esse acordo, que foi negociado por mais de 20 anos, precisa ser referendando em todos os países membros europeus.

Para um Presidente tão preocupado com a economia, o Ministro do Desmatamento parece estar agindo contra.

A maioria dessas ações está sendo conduzida pelo Ministro do Desmatamento em meio à pandemia da Covid-19 utilizando exatamente o modus operandi que ele apresentou na patética Reunião Ministerial da República da Rainha Louca. Pode-se dizer que o Ministro do Desmatamento, como advogado, ofereceu uma consultoria grátis aos demais Ministros de como burlar os procedimentos democráticos por debaixo dos panos.

Mas, o que se pode esperar do cidadão que atualmente ocupa a cadeira que foi ocupada por Marina Silva? A política conduzida por ela fez o Brasil passar de um país destruidor da floresta amazônica ao maior protagonista de políticas de combate ao desmatamento. Contudo,  essa política começou a ser destruída um ano e meio atrás e o Brasil volta a ter uma péssima imagem no exterior.

O Ministro do Desmatamento já incentivou o assassinado de trabalhadores sem-terra, defendeu latifundiários e mentiu sobre o seu currículo.

Nas eleições de 2018, Ricardo Salles foi candidato a Deputado Federal e não logrou êxito. Ele é um dos fundadores do movimento Endireita Brasil, que tem o apoio de ruralistas. Ele defendeu o uso de “munição de fuzil” contra os movimentos sociais de esquerda. O seu alvo predileto era o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST – o qual ele classificava como um movimento de “bandidagem no campo”.

O Ministro do Desmatamento, como vários outros componentes da República da Rainha Louca, mentiu sobre seu currículo. Quando era ainda desconhecido, em fevereiro de 2012, ele publicou um artigo na Folha de São Paulo e ao final adicionou um pequeno résumé: “Ricardo Salles, 36, mestre em direito público pela Universidade Yale, é advogado e presidente do Movimento Endireita Brasil”. O The Intercept Brasil contatou a Faculdade de Direito da Universidade de Yale e obteve a seguinte resposta: “Oi. Sinto muito pela demora na resposta. A Faculdade de Direito não conseguiu localizar nenhum registro indicando que Ricardo de Aquino Salles frequentou a Faculdade de Direito de Yale”. Nos últimos tempos tem sido uma constante as pessoas incorporarem em seu currículo a formação em uma das maiores universidades do mundo. Pela Universidade de Yale já passaram cinco presidentes americanos e doze agraciados como o Prêmio Nobel, difícil acreditar, portanto, que uma pessoa como o Ministro do Desmatamento possa ser aceito para um Programa de Pós-Graduação de lá.

No seu verdadeiro currículo, por outro lado, o Ministro do Desmatamento pode acrescentar que ele foi condenado por improbidade administrativa pela Justiça de São Paulo. A condenação foi por favorecimento de empresas de mineração filiadas à Fiesp através da alteração de mapas de zoneamento do plano de manejo da Área de Proteção Ambiental do Rio Tietê) quando era secretário de Meio Ambiente de São Paulo.


Após a divulgação do vídeo da festa dos horrores da República da Rainha Louca, um grupo de organizações ambientalistas criou uma campanha nas redes sociais, através da hashtag #NomeAosBois. O objetivo da campanha é mostrar para a sociedade as empresas que estariam apoiando o Ministro do Desmatamento passa a sua boiada.


Precisamos defender nossas florestas e a população indígena. Foi nesse sentido que o premiado fotógrafo Sebastião Salgado lançou uma campanha internacional.